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O Zoológico de Varsóvia (2017)│Crítica

O que podemos fazer pelos outros?

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“O que podemos fazer pelos outros?” Eis a pergunta que O Zoológico de Varsóvia faz entranhar em nossas mentes com a comovente e real história de coragem, generosidade e humanidade do casal de mantenedores do famoso zoológico da capital da Polônia durante a invasão nazista no final da década de 30. O filme adapta o romance The Zookeeper’s Wife, escrita por Diane Ackerman, que conta como Antonina (Jessica Chastain) e Jan Zabinski (Johan Heldenbergh) conseguem salvar a vida de mais de 300 judeus durante os horrores da Segunda Guerra Mundial.

Na trama, voltamos à Polônia perto da invasão nazista, onde o casal Antonina e Jan vivem felizes administrando um zoológico bastante frequentado em Varsóvia. Porém quando se dá início a invasão, o zoológico sofre graves consequências com o bombardeio na cidade. Matando incontáveis animais e soltando vários outros de suas jaulas, provocando o extermínio dos mais perigosos que perambulavam o parque e as redondezas do zoológico. O casal sofre pelas perdas das valiosas espécimes que davam vida não só ao zoológico, mas também para as suas rotinas. Mais tarde, durante o controle total dos alemães pelo país, Jan e Antonina decidem ajudar os judeus que sofriam pela violência do antissemitismo dos nazistas que os enjaulavam no famoso e horripilante Gueto de Varsóvia. O zoológico que agora criava porcos para alimentar as tropas nazistas, era  pretexto para que Jan pudesse recolher o lixo de dentro do gueto e assim resgatar vários judeus e abrigá-los clandestinamente em seu zoológico.

Jessica Chastain coloca-se a um novo patamar com sua atuação na pele de Antonina. A leveza e profundidade que ela consegue dar à personagem é tão divina que o espectador consegue crer numa mulher tão delicada e capaz de lutar, de sua maneira, contra tudo o que estava acontecendo. Coragem sobrava à Antonina e seu esposo, Jan, capazes de arriscarem a vida de sua própria família para ajudar os judeus da morte certa. Os dois personagens conduzem muito bem a narrativa do longa, cada um responsável por dar-nos as perspectivas que Caro quer transmitir. A personagem Antonina fica a cargo de nos mostrar como era o relacionamento com os nazistas alojados em seu zoológico, principalmente através do biólogo Lutz Heck (Daniel Brühl), enquanto Jan passava-nos todo o sofrimento dos judeus concentrados no gueto. As alternâncias desses e de outros momentos chaves e tensos da trama, concatenados com o alívio dos resgatados e a representação histórica da Guerra dá um bom ritmo ao filme de 2 horas e 7 minutos.

O diretor Niki Caro (Encantadora de Baleias) acerta muito bem em dar vida, emoção e, principalmente, tensão à trama do longa. O Zoológico de Varsóvia é daquelas filmes que o espectador continua tenso até em momentos bem tranquilos da projeção. A opressão nazista também é bem representada: o constante medo das pessoas ao se tornarem reféns em suas próprias casas, a nojenta arrogância dos soldados e oficiais do regime nacionalista alemão e, em especial, o retrato a um dos piores guetos de concentração de judeus da história, o gueto de Varsóvia. Tudo é demonstrado e construído de forma coerente com a proposta do filme. Um trecho muito especial são as últimas partidas dos judeus nos trens para os campos de concentração, onde a cena em que o Dr. Korczak, um renomado pedagogo judeu à época, simula uma aventura com as crianças que embarcavam no trem a fim de desconectá-las da triste realidade é incrivelmente tocante.

A fotografia e ambientação deste filme é algo a parte. Somos brindados com uma ótima paleta que retrata bem os momentos pré, peri e pós-guerra. A vida no zoológico e seus animais deve ter sido algo bem trabalhoso de se fazer, não só com as cenas com animais, que são notoriamente complicadas, mas também com a construção de momentos que variavam de lindos e simples aos extremamente tristes. A ambientação também é de excelência, conseguindo nos levar para o final dos anos 30 pelas ruas de Varsóvia e por dentro do gueto e de seu triste funcionamento.

Daniel Brühl faz um trabalho competente como o antagonista Lutz Heck, que foge em certos momentos dos famosos estereótipos que temos dos oficiais alemães, principalmente com suas interações com Antonina. Bruhl e Chastain ficam a cargo dos momentos mais tensos no quesito interpretação do filme, e os cumprem muito bem. Percebemos como a pequena admiração e flerte entre os dois no início do filme se transforma em algo extremamente perigoso. Tais sequências são cheias de tensão e momentos de dominação psicológica que os dois atores conseguem entregar muito bem. A cena em que Antonina o auxilia no momento de procriação dos touros é um bom exemplo com relação a isso.

É inegável o poder inspirador de O Zoológico de Varsóvia. Ainda mais em momentos atuais, que damo-nos por satisfeitos em apenas olhar para o nosso próprio umbigo e nos lamentar pela falta de humanidade cada vez mais crescente na sociedade. E mesmo após mais de 70 anos de seus atos dignos de honras do governo israelense, Antonina e Jan Zabinski continuam a inspirar vidas e motivar reflexões. O Zoológico está ativo até os dias de hoje, e lá há um memorial sobre esta história onde os visitantes podem entrar e ver os locais e tuneis aonde os judeus se escondiam e se libertavam, numa boa e triste ironia ao papel do zoológico de aprisionar os animais.

Uma  linda história real que ficara escondida do grande público desde a publicação do livro em 2007. Uma história inspiradora que retrata o quão horripilante mas também o quão generoso o ser humano pode ser. E você, do que é capaz de fazer para ajudar os outros?


O Zoológico de Varsóvia

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Written by Daniel Gustavo

Daniel Gustavo

"No fim, tudo é sobre "cocks"!"

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