O Poder Visionário da Literatura │Olhar Literário

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Em busca de um novo assunto para esta coluna, me deparei com a notícia sobre a morte de Fidel Castro, o tão polêmico político cubano cujo nome normalmente vem acompanhado de outras palavras como “ditador” ou “revolucionário”. Mas o que isso tem ver com literatura? Bom, várias coisas – além de todas as obras escritas sobre a persona em questão – e com certeza a resposta para esta pergunta é mais extensa do que parece, pois nos remete diretamente ao caráter visionário de algumas obras clássicas e atuais. Aliás, nunca foi novidade o fato de que a ficção consegue ser tanto um espelho da realidade como um reflexo de seu tempo. E é nessa questão sobre como é possível obras literárias “preverem” algum caminho da realidade que quero falar no texto de hoje do Olhar Literário.


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Para começar com exemplos, acredito que o mais próximo de algo que foi capaz de imaginar o futuro seja o clássico “1984“, de George Orwell. O simples fato do livro ter sido terminado em 1948, porém lançado no ano seguinte, sempre serviu de especulação para a possibilidade da história ser uma espécie de “antevisão” do futuro.

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Segundo a sinopse, a história gira em torno de Winston, um homem que vive aprisionado em uma sociedade completamente dominada pelo Estado. Tudo na obra é retratado como forma de mostrar o horror de um poder cínico e cruel ao infinito. Um poder capaz de moldar a realidade. O ser humano é esvaziado tanto no campo das emoções como em pensamento. Há vários ministérios do partido conhecido como o “Grande Irmão” responsáveis por vigiar a atividade humana. É em um deles que o protagonista trabalha, o que serve como condutor narrativo para o leitor conhecer intimamente os absurdos do totalitarismo politico. É agonizante também as torturas sofridas por ele quando tenta se libertar desse estado que pode ser considerado hipnótico.

Assim como ocorre na interpretação de qualquer obra, “1984” acaba sendo alvo de diversos olhares sobre o seu conteúdo. Na época, algumas pessoas enxergavam uma crítica ao nazi-fascismo da Europa ou contra o comunismo da hoje extinta União Soviética. De qualquer modo, independente da possibilidade de ser uma crítica direta à alguma ditadura em especifico, o principal fato é que este clássico é atemporal. O termo “Big Brother” (em tradução para o português, Grande Irmão) é uma expressão normalmente utilizada para se referir à casos de constante vigilância e já serviu também, de forma irônica, para a criação de reality shows. Outra grande prova da forte influência do clássico de George Orwell em outras obras é a graphic novel “V de Vingança“, de Alan Moore e David Lloyd, cuja adaptação cinematográfica foi tão marcante a ponto de influenciar manifestações em várias partes do mundo. Afinal de contas, quem não se lembra da máscara do terrorista V nos protestos ocorridos em 2013?

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Aliás, é curioso como em pouco tempo o personagem de Moore virou um simbolo revolucionário, anos depois da exibição do filme lançado em 2005. Vale lembrar que o fato da máscara ser utilizada nessas situações gerou diversas discussões sobre a possível influência da ficção na realidade, tema que certamente será abordado nesta coluna em outro texto. Em teoria, um autor quer transmitir uma mensagem, propiciar uma reflexão através dela e, quem sabe, gerar uma mudança mas não há como saber qual será toda a repercussão do seu trabalho. Isso foge do alcance de suas mãos.

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Até em Admirável Mundo Novo, escrito em 1932 por Aldous Huxley, podemos perceber a capacidade da literatura de problematizar, criticar e imaginar rumos não só da sociedade como também da ciência e da própria humanidade. A obra em questão previu a utilização da engenharia genética, que em 1972, 40 anos depois da obra, foi realizada a primeira manipulação genética da história.

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Nesse sentido, é importante lembrar sobre o que significa a expressão “visionário“. Para muitos, significa acreditar em possibilidades e enxergar além dos outros. É um novo sentido da criatividade também. Quando alguém inspirado concretiza uma ideia poderosa capaz de imaginar o que virá a seguir com clareza, isso é tido como algo visionário“. Enfim, seja em livros ou quadrinhos a função da arte continua a mesma: Transportar o leitor para além da sua própria realidade e do seu tempo.

Olhar Literário é uma coluna escrita por Marcus Alencar. Marcus é redator no site Leituraverso e um dos hosts do podcast Leituracast.

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Written by Marcus Alencar

Marcus Alencar

Jornalista, blogueiro e um homem de diversas paixões. Amo quadrinhos, cinema e literatura, mas não necessariamente nessa ordem. Acima de tudo, amo a forma como esses meios de comunicação conseguem produzir obras capazes de nos tirar do lugar-comum e propiciar a reflexão.

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